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TEXTOS VENCEDORES IV CONC EROTISMO EM RIJAS ASAS
TEXTOS VENCEDORES IV CONC EROTISMO EM RIJAS ASAS

  • NA CATEGORIA “POESIA”

 

MEDALHA DE OURO

 

Culto dos Desejos

Rui Tojeira (Marinha Grande – Portugal)

 

Sou-te incessante rio

da montanha até à foz,

sou silêncio em desvario

na enchente que há em nós.

 

Abres-te em flor, num abraço

e eu possuo-me de teu ser,

frenesim escorrendo melaço

desfolhado em bem-me-quer.

 

E entrego-me todo ao prazer,

ao insano desejo dos amantes,

nesta minha ânsia de te querer

amálgama impoluta dos instantes.

 

Pomo que desperta labaredas

nos lábios soltos e assanhados,

que escorrem enseada abaixo

ao teu cacho cheio de pecados.

 

Que agora sou-te eu, excitação,

até que a carne nos confunda

e teus beijos respirem tentação,

pelo desabrochar em tua boca

da semente que o amor fecunda.

 

E abandonas-te aninhada em mim

tal loba sequiosa, terna e cansada

e no meu corpo plantado de alecrim

os teus seios são a flor da madrugada.

 

 

 

MEDALHA DE PRATA

 

 

FOLHA MORTA

(FERNANDO BEVILÁCQUA – RIO DE JANEIRO – RJ)

 

 

Folha despregada de seu leito

Num vacilo, flutuante.

Pousou, leve, no meu peito.

No início, suave presença

Trazendo alento, esperança

Quem diria. No final,

Ao invés de terna lembrança

Feriu-me profundo, uma lança.

 

Morrer não tive tempo

Embora sangrasse bastante

Tornei-me vazio, anêmico, lento

Foram-se a luz, o flash, o instante

Sobraram a fraqueza e a escuridão

Murcho ficou o coração.

Tateio o passado, busco lembrança

E encontro só desesperança.

 

Vesti a fantasia de Pierrot

E tal como ele, no Carnaval,

Ouvi a voz de quem me desprezou

A dizer-me – acorde! Isto é o final.

Impossível acreditar em tal desfecho

Tantos foram os orgasmos tidos

E eu, prudente, no passado não mexo

E saboreio os tempos vividos.

 

Esperançoso sem esperança

Neguei ao mundo dizer adeus

Quis voltar a ser criança

Reencontrar-me com ela e com Deus

Envolvê-la nos braços num abraço

Beijar-lhe o corpo, salivar-lhe a boca

Parar no tempo dela – nem mais um passo

Viver com ela uma trama louca.

 

 

 

 

MEDALHA DE BRONZE

 

 

ASSIM...ASSIM...

(MARIA JOSÉ ZANINI TAUIL – RIO DE JANEIRO – RJ)

 

 

Ofegamos juntos

De prazeres frementes

Coxas sobre coxas

Boca sobre boca

E que doce tentação

Conter-te em mim

Comprimir-te

Apalpar-te...

Sugar-te, louca

Alimentar desejos

Tão reprimidos

Dando-te a certeza

De que sou cofre

E só tu tens a chave

Dos mistérios meus

Cerra teu olhar

Pensa em mim assim

Como penso em ti

Meus olhos se perdem

Na imensidão dos teus

Êxtase pleno

Na tarde agonizante

Lânguido cansaço no depois

Vivo das lembranças

Dos nossos momentos

Quando fomos envolvidos

Por sombras nupciais...

Sem ti, não existe vida

Mas ainda existe um sopro

De persistência

Por dias...

Por semanas...

Por meses...

Porque o tempo não é nada

Diante de trinta anos de espera!

 

 

 

PEQUENOS PECADOS VIRTUAIS

(CARLOS EDUARDO POMPEU – LIMEIRA – SP)

 

 

Além de tu,

Pra lá de Itu,

Há mais de mil mulheres,

Saciando a fome e a luxuria

Em jantares

De mais de mil talheres.

 

Eu, simples humano,

Sem coragem para ser profano,

Resto-me aqui

Preso e cativo

De teus caprichos.

 

Mas, meu único consolo,

Que me permite

A nefasta covardia,

É saber que, em meus sonhos

De incansáveis  orgias,

Me liberto de ti

E me transporto,

Pelas asas da fantasia,

Pra lá de Itu,

Bem longe de ti,

Bem longe daqui.

 

 

 

 

Amando sempre!

(Suely Saad – Rio de Janeiro – RJ)

 

 

 

No amor encontro forças

Para viver com alguém

Ter um amor bem querido

Ao nosso lado faz bem

Momentos de grandes loucuras

Na cama com grande ardor

Gozando ,enlouquecendo

Nas delícias do amor

Sentimentos se revelam

Na intimidade do quarto

São tantas coisas que rolam

Nesse  desempenho farto

Com carícias obscenas

Que fazem corar as faces

Mas no amor tudo vale

Até para quem solta penas

Vamos amar sem vergonha

Mostrar todo sentimento

Deixar fluir o animal

Que se apossa no momento.

 

 

 

 

 

 

  • NA CATEGORIA “PROSA”

 

 

 

MEDALHA DE OURO

 

EROTISMO

(ABÍLIO KAC – RIO DE JANEIRO – RJ)

 

                       

 

  

 

 

                               A MUSA DESNUDA

(JOSÉ WARMUTH TEIXEIRA – TUBARÃO – SC)

 

Carlos  Eduardo  era  um profissional  liberal  bem  sucedido  na sua profissão.

Contando com trinta e cinco anos de idade, morava em uma cidade interiorana de porte médio. Já tinha sua casa própria com todo o conforto, um bom automóvel e algumas economias.

Celibatário e retraído no relacionamento com as moças com quem convivia, sempre desconversava quando os amigos lhe perguntavam por que continuava solteiro. Dizia não ter encontrado ainda a mulher dos seus sonhos

Certo  dia resolveu ir passear na megalópole que distava duzentos quilômetros  da sua cidade.

Em lá chegando, caminhava ao léu por uma rua  e quando ia passando pela loja de um marchant, embora não fosse um grande admirador de obras de arte, se sentiu estranhamente compelido a entrar e admirar  os quadros ali expostos.

E foi então que se deparou com ela.

Uma belíssima pintura retratava uma linda mulher, em tamanho natural, trajada com um belo vestido de renda de guipure branco, cuja trama era como se fossem folhas sobrepostas.

                 Ela era do tipo mignon, morena, mas tinha lindos olhos claros, longos cabelos negros, lábios carnudos, corpo escultural, parecendo ser uma princesa egressa de um conto de fadas.

Ao vê-la, uma sensação de dejá-vu assomou-lhe à cabeça. De onde conhecia aquela beldade? Que tipo de relacionamento havia tido com ela?

Olhando-a nos olhos, por um momento pareceu-lhe que eles lhe faziam a mesma pergunta.

Apesar de ter sido informado pelo marchant de que o autor da pintura era desconhecido, não discutiu preço e adquiriu-o incontinenti.

Como o seu carro era espaçoso, pediu que alguém  empacotasse a obra e a levasse até o mesmo.

Para seu deleite, a moldura coube em pé entre os bancos da frente e os de trás do automóvel.

 Cancelando as voltas que ainda pretendia fazer, ao deixar a cidade  parou o carro e desembrulhou a moldura.

Continuava fascinado por aquela graciosa moçoila e quase sofreu um acidente ao distrair-se olhando demoradamente para ela pelo retrovisor.

Uma vez em casa, logo, logo o quadro estava pendurado e Carlos Eduardo não conseguia deixar de fita-lo e acabou dormindo no sofá  que colocara em frente ao mesmo.

Dois dias depois, ao aproximar-se do retrato, julgou ter visto uma imperfeição em uma das folhas do decote do vestido da moça.

Ao pinçá-la com os dedos, para seu espanto, ela se desprendeu da tela, surpreendentemente deixando ver a pele do colo da bela jovem.

Então, retirou com facilidade mais uma e mais outra e ficou maravilhado com a pele sedosa e morena que ia aparecendo a cada avulsão realizada.

Resolveu parar, com medo de estragar a obra.

No dia seguinte, chamou a sua diarista e pediu-lhe para retirar uma daquelas folhas do decote.

E foi com espanto que observou que ela não conseguia retirar folha alguma.

Solitário outra vez, o moço recomeçou a tirar as folhas, aumentando o decote até expor dois belíssimos seios, firmes e ornados com dois  mamilos túmidos e proeminentes.

Após admirá-los longamente, uma vez mais receoso de estragar a pintura,   deitou-se no sofá a sua frente e adormeceu.

No dia seguinte, chamou a diarista e fê-la admirar o novo visual da pintura, interrogando, maliciosamente, como havia ficado.

- Não vejo nada diferente, Doutor.

 Assombrosamente, somente Carlos Eduardo podia ver a semi-nudez  da sua  já então adorada ninfa.

Então, com ousadia, foi tirando mais folhas até descobrir um mimoso umbigo, verdadeiro convite a beijos e carinhos.

Ajoelhado, continuou a tirar, lentamente, cada folha e, a cada uma delas removida, deleitava-se com o que ela escondia.

Continuando, chegou até o a região pubiana que se mostrou coberta por delicada e esparsa penugem.  E então uma encantadora e delicada geografia foi sendo revelada: abaixo do monte de vênus tinha início um pequeno vale de delícia, emoldurado por duas lindas coxas de cor trigueira, que deixaram o jovem ofegante e mais ainda dominado por uma grande paixão por aquela musa.

Uma vez completa a revelação, o moço pôde ver por inteiro aquele maravilhoso e atraente exemplar de fêmea da espécie humana.

Ao contemplá-la uma vez mais, continuou em vão na tentativa de lembrar-se de quando e onde, no passado, havia conhecido aquela jovem.

Teria sido em outra geração  ou estaria ele tomado por um processo de regressão?

Nunca viria a saber.

Então se conformou em apenas conviver com aquela bela figura que, na sua nudez, somente ele podia enxergar.

 

 

 

 

 

MEDALHA DE PRATA

 

 

 

 

LUCÍOLA

(HENRIQUE DE MOURA COSTA – RIO DE JANEIRO – RJ)

 

 

O ano de mil novecentos e cinquenta, no Rio de Janeiro foi, por diversas razões um ano mágico, pelo menos para a minha geração de adolescentes.

A mudança de década tem um efeito peculiar de despertar a esperança por outra melhor, porque a passada foi (sempre) horrível.

Para nós “teeners”, aquele ano se afigurava luminoso. Sob forte influência da aparente juventude norte americana, havia uma imitação, se não macaqueamento, dos hábitos e costumes dos nossos jovens “irmãos” do norte, aqueles aninhados em um confortável estilo de vida, nós nos espremendo para tentar copiá-los, seja pela compra de um suéter, uma calça “blue jeans”, um “sundae” nas Americanas ou mesmo por um “hot dog”, vendido em barraquinhas na rua, junto com exóticos refrigerantes como Grapete ou Crush.

Naquela época, com quinze anos, eu morava em uma rua na Tijuca, bem perto do afamado Instituto de Educação, ou Escola Normal, na Rua Mariz e Barros. Era uma rua tranqüila, arborizada, ainda cheia de casas, pequenas mas confortáveis, onde hoje se destacam estúpidos edifícios.

Do outro lado da rua, algumas casas abaixo, morava Lucíola. Devia ter minha idade ou um pouco mais, era linda e foi a primeira paixão de minha vida.

Lucíola era normalista. As normalistas tinham fama de ser meninas fáceis, mas certamente não a minha Lucíola, que era pura como um lírio. Todas as manhãs ela ia fardadinha para a escola, agarrada em seus livros, e eu a espreitava da janela, dando asas à minha fantasia de ter um dia coragem para falar com ela. Mas ficava na fantasia. Ela não me via ou fingia que, mesmo quando passei a esperar, de longe, sua saída do Instituto, na hora do almoço. Meus sonhos com ela, embora eróticos, nada tinham de lascivos. Em meu romantismo adolescente eu imaginava beijando-a ao luar ou ouvindo de mãos dadas a Sonata Appassionata (No. 23 in Fa menor, Opus 57) do Beethoven que eu havia descoberto nas audições diárias da Radio Ministério da Educação.

Até aquele dia.

Como de costume, fui esperá-la na saída do colégio, na hora do almoço. Era o último dia de aulas antes das férias, e pude vê-la, rodeada pelas colegas, em grande e risonho alvoroço. Como habitualmente fazia, ela voltava para casa e eu a seguia à distancia. Mas naquela manhã ela se dirigiu para o canto no qual eu julgava estar escondido e, como em um sonho, veio falar comigo.

 - Você não é o filho de Dona Gloria, do cento e quatorze?

Não disse meu nome. Eu era filho de Dona Gloria e pronto.

- Sou.

- É o seguinte, hoje é o ultimo dia de aulas e vai ter uma festa no Tijuca. Você gostaria de ir?

Ela não esperou minha resposta, mesmo porque eu não a saberia dar. Limitou-se a dizer:

- Oito horas lá.

Foram horas de deliciosa ansiedade até que eu transpus a portaria do Tijuca Tênis Clube na Rua Conde de Bonfim. Surpreso em ver que realmente meu nome estava lá, dirigi-me ao salão de festas.

O salão estava quase vazio, apesar da orquestra estar atacando (literalmente) o Night and Day do Cole Porter, mas ela estava lá. Em um canto da sala, cercada de colegas em uma alegre algazarra, linda e maravilhosa em um virginal vestido branco.

Não tive coragem de me aproximar do grupo, esperando o abençoado momento em que ela se dignasse a notar a presença de seu convidado.

Subitamente ela veio em minha direção. Espantado, mas deliciado, deixei-me levar pela mão através do salão até a saída que dava para o jardim. Antecipei aquele beijo tão desejado sob o luar que iluminava as quadras de tênis, mas Lucíola levou-me para um canto mais escondido, onde mal se enxergava um banco.

Mas, ao invés do beijo, ela se curvou um pouco e para meu espanto vi que tirava as calcinhas. Deitou-se em seguida e ordenou:

- Venha.

Meu coração quase estourou na minha boca. Não estava preparado para um ato que só conhecia em teoria e muito menos com a minha intangível amada.

Até hoje não consigo me lembrar dos sentimentos que me ocorreram. Deu-me um branco total. Mas os fatos ainda me vêm à cabeça, não como cinema, mas como uma sequência de fotos.

Abaixei rapidamente as calças e tentei deitar-me ao lado dela, no estreito banco. Mas a natureza apressada e intempestiva não esperou que o ato se consumasse. Um torrencial jorro de algo que deveria ser dirigido a outro alvo literalmente inundou o imaculado vestido da minha deusa.

Baldada seria uma nova tentativa, pois ela logo se levantou, arrumou-se e saiu correndo, não sem antes de ter-me dirigido um olhar de ódio.

Não sei como cheguei em casa, mas cheguei. E foi aí que pirei. Pirei mesmo. Com um misto de dor, vergonha e frustração fiquei dias quase catatônico, sem comer e sem falar, não respondendo às preocupadas perguntas de meus pais até que, depois de uma consulta com o doutor Floriano, resolveram me enviar para Juiz de Fora, na casa de uma tia.

Os dias que lá passei, seja pelo meu afastamento da trágica vizinhança, seja mesmo pela chatice da cidade, me fizeram voltar quase ao normal. Passei a considerar os fatos dentro de um quadro de racionalidade, mas as perguntas que me fazia caíam em dúvidas que eu sabia jamais seriam esclarecidas.

Porque eu? Eu era consciente de que ela poderia ter um parceiro mais velho e mais atraente do que um adolescente de dezesseis anos.

Então fora por bondade?

 Ou por simples capricho?

Nunca saberia.

Quando voltei, pouco a pouco a lembrança de Lucíola foi se diluindo.

Nunca mais a vi. 

Anos depois soube que ela estava, nas asas da Panair, como aeromoça na rota de Belo Horizonte.

 

 

 

 

MEDALHA DE BRONZE

 

Amigos ou amantes?

(Érika Lourenço Jurandy – Rio de Janeiro – RJ)

 

 

Eu estava sozinha e carente. Ele também estava. Éramos – somos ainda? Já nem sei! – amigos de longa data e jamais nos olhamos com olhos de outra coisa além de amizade. Mas, naquele dia, naquele sábado cinzento e chuvoso, frio e necessitado de calor, nossos olhares viram algo além do nosso amor de amigo.

Estávamos aqui em casa. Decidimos tomar um vinho e degustarmos chocolate trufado de licor de cereja. Não se se foi vinho demais ou chocolate com licor demais. Ou carência demais. Ou muitos sentimentos indefinidos e necessitados de serem determinados naquele momento.

Uma brincadeira boba. Eu comia um pedaço do chocolate e a outra metade colocava, delicadamente, na boca dele. No início ríamos, era só brincadeira para passarmos o tempo, até que a chuva cessasse e ele fosse embora. Mas a situação começou a ficar mais séria, mais íntima. Ele passou a controlar a situação. Comia uma metade do bombom e a outra metade, colocava em minha boca, fazendo de tudo para que eu, além de saborear o chocolate, também saboreasse seus dedos. No início fingi que não entendia a intenção dele, mas não demorou muito para que eu me entregasse aquele jogo interessante.

Quando, após saborear o chocolate que Ele me deu, segurei sua mão e passei a sugar delicadamente seus dedos, senti que já não teria mais volta. Ele estava visivelmente surpreso com a minha retribuição e já não escondia mais o que pretendia. Sem rodeios, segurou meus cabelos e iniciou um frenético beijo, seguido de movimentos rápidos e mútuos, para que nos livrássemos de nossas roupas, o único empecilho daquele momento.

Do modo que estávamos, sentados, ficamos e desse jeito, nesta posição, sentimos nossos corpos se unirem e em movimentos rítmicos, acelerados, chegamos logo ao êxtase, há muito não sentido. Apesar da rapidez com que tudo aconteceu, a intensidade com que aconteceu, a entrega completa de nós dois foi o suficiente para o nosso primeiro momento de prazer. Do mesmo modo que tudo aconteceu, tudo se desfez, por ora. Ele vestiu-se um tanto atordoado, enquanto eu tentava não pensar muito no que havia acontecido. Nos beijamos e Ele se foi. Sentia-me maravilhosamente bem e, ao mesmo tempo com receio de que nossa amizade tivesse sido findada naquele dia.

Na tarde seguinte, sem saber quem poderia ser, ouvi a campainha e, quando cheguei ao portão, Ele me surpreendeu com um caloroso e provocante beijo. Já na parte interior do portão, me segurou firme, fazendo com que minhas pernas se entrelaçassem em sua cintura, momento que senti que ele também queria o mesmo que eu. Sem perceber, já estávamos em meu quarto. Com delicadeza, me pôs na cama e, com a mesma suavidade, foi gradativamente despindo-se e despindo-me.

Deitou-se e me beijou, fazendo com que suas mãos percorressem meu corpo, assim como as minhas percorriam o dele. Primeiro a boca, depois o pescoço. Colo. Seios. Barriga. Com beijos e mordidas, Ele conseguia me fazer contorcer. Jamais senti tamanho prazer como naquele momento e nos que seguiram. Jamais havia sido beijada / tocada daquela forma. Simplesmente me entreguei completamente e Ele fez o mesmo. Nos amamos naquela tarde e durante aquela noite, sem trocarmos uma palavra sequer. Apenas deixamos que nossos desejos fossem satisfeitos. Apenas nos amamos. E nos amamos com a mesma intensidade que nos amávamos por todos esses anos de amizade.

Os dias seguintes não foram diferentes. Assim como as semanas. E se antes era só vontade de saciar o prazer, agora queríamos o outro bem além do corpo. Não percebemos quando e nem como, mas já não queríamos mais só o sexo. Não queríamos mais só os toques, os gemidos, o prazer. Nossos corpos desejavam mais.

Nem eu e nem Ele esperávamos que nossos desejos virariam vontade de estar com o outro além dos momentos de prazer. Não pensamos que iríamos nutrir pelo outro amor. E hoje já não sabemos mais o que somos, se amigos ou amante. Mas temos certeza do que sentimos: amor. 

 

 

 

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