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TEXTOS VENCEDORES DO IV CONCURSO EROTISMO COM ARTE
TEXTOS VENCEDORES DO IV CONCURSO EROTISMO COM ARTE

NA CATEGORIA "POESIA"

 

- MEDALHA DE OURO:

 

WILSON RODRIGUES PEREIRA (BRASÍLIA - DF)

VOCÊ GOSTA DE UMBÚ?

 (Um diálogo malicioso entre o compadre e a comadre)

 

Cumadi:
Cumpadi qui bom que ocê veio
Visitá a minha roça
Fica pertico daqui
Dez minuto na carroça.
Hoje o marido viajô
Levô as fruta de monte
Foi vê se vende tudinho
Lá no Ceasa  de Belzonte

Cumpadi:
A senhora adescurpe a ousadia
A cumadi tá tão cherosa
Mais bunita que quarqué frô
Mais perfume que a manga rosa

Cumadi:

O cumpadi é tão cativante

Seu proseio é uma arte

Do jeitinho que ocê fala

Sinto até quentura nas parte
Essa árve pititinha
Nem precisa de escada
As moça chupa muito
É a tar de manga espada

Cumpadi
Descurpe de novo a ousadia
Não quero que ninguém ouça
Mas se for chupa uma manga
Prefiro a peitinho-de-moça

 


Cumadi:
Não quero que cê estrague sua roupa
Uma carça tão fina e chique
Parece inté que o cumpadi
Comprô ela na butique
Eu trepo e ocê fica embaixo
Mas evita oiá pra riba
É que cum calorão desse
Eu vim meio disprivinida.

Cumpadi:
Tô oiando prá riba
Só pra mor de ajudá
Juro que debaixo da saia
Eu nem vô arrepará
Cumadi, tô vendo uma fruta
Que tô doidim pra chupá
A tar de cabeludinha
Ocê podia me dá.

Cumadi:
Fique a vontade cumpadi
Ocê chupa o que quisé
Seu pedido é uma ordi
Jázinho trepo no pé
Essa fruta que quero te dá
É gostosa e é bunita
Eu guardo prás ora certa
Só ofereço pras visita
Ocê gosta de UMBU?
É fruta deste lugá
Tá docinha, tá madura
Tá na hora de chupá

Cumpadi:
Essa fruta gosto muitcho.
E tem como não gostá?
Não apenas do umBU
Como tomém de umCÊ e umTÁ..


N.A.
Manga  - Mangifera índica – da família das Anardicaceae com muitas variedades, entre elas Rosa, Espada, Haden, Bourbon, Ubá, Peitinho-de-moça, Coité etc

Cabeludinha – Eugênia tomentosa da família das mirtáceas

Umbu – Spondia tuberosa da família das Anardicaceae

 

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ELAINE MARIA G. NUNES (RIO GRANDE - RS)

 

 NOITE

 

Esta noite pari um tigre

No silêncio do meu quarto

Era um tigre de verdade

Com as garras afiadas

Que ao menor movimento

Rasgavam as minhas roupas.

 

Esta noite pari um tigre

Entre dores e delírios

No meu sonho incandescente

Onde pode extravazar

O sabor do meu martírio.

 

Um pobre tigre selvagem

Gerado da minha loucura

Um grande gato malhado

Felino e traiçoeiro

Buscando meus seios fartos

De branco e letal veneno!

 

Entre os lençóis, quase nua

Exposta e ensanguentada

Pelas garras impiedosas

Pelas lambidas maldosas

Amamentei minha fera...

 

Como quem goza uma festa

Como quem sabe que a carne

Vive apenas da espera...

 

 

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MEDALHA DE PRATA:

 

LINDALVA SILVA QUINTINO DOS SANTOS (BELO HORIZONTE - MG)

 

TEU CORPO

Passeio pelo teu corpo
como quem passeia pela vida
pois, conheço cada curva,
cada esconderijo,
cada cilada,

cada armadilha,
e não me perco em nenhum deles,
pois, já os decorei
de tantas vezes em que os visitei.

Mas, há sempre um caminho novo
que encontro, uma trilha que faço pois, seu corpo é cheio de abismos,
onde me lanço,

onde me perco
e onde me acho.

 

 

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MEDALHA DE BRONZE:

 

FERNANDO BEVILÁCQUA (RIO DE JANEIRO - RJ)

 

VOCÊ ME REVELA

 

QUANDO ESCREVO

TENHO VOCÊ

DENTRO DE MIM.

AS PALAVRAS ESCORREM

COMO SUOR.

BROTAM DOS POROS

ABERTOS PELA SUA LEMBRANÇA

E VOCÊ INVADE, SEM CERIMÔNIA,

MINHAS INSANIDADES,

MEUS FETICHES,

OS DOIS LADOS DO MEU SER.

O SUJO E O LÍMPIDO.

QUANDO VOCÊ NÃO ESTÁ

DENTRO DE MIM,

SOU INFÉRTIL,

INODORO, SEM SABOR OU COR.

                                                  NÃO SAIA DE MIM!

 

 

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CARLOS EDUARDO POMPEU (LIMEIRA - SP)

 

A MULHER ARANHA.

 

Ah, Mulher Aranha,

O que lhe vai

Pelas entranhas

Que a faz,

Após ardoroso ato,

Ceifar a vida

Do amoroso  macho?

Que memória genética

A determina assim agir

Sem dó, sem piedade.

 Num repente

De aparente insanidade.

 

Sabe-se lá,

Se lendo as linhas do tempo,

Já de há muito percebeu

Que o amor não é imortal

E se basta a uma cópula.

 

 

Hoje,

Quantas mulheres

As vejo desiludidas

Do amor e da vida,

Guardarem contidas,

Em suas entranhas,

A mesma sina,

A mesma sanha,

de uma cruel

MULHER ARANHA.

 

 

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NA CATEGORIA "PROSA":

 

- MEDALHA DE OURO:

 

CÍCERO MOTERAN RAMOS (BELO HORIZONTE - MG)

 

cíceromoteran

 

      Outrora, Yuri trocou suas duas paixões platônicas, paixões de adolescente, pelo amor surreal por mulher mais velha. Tal amor brotou enorme quanto Yuri fora seguidamente requisitado a ajudar Dona Liandra, mais conhecida por Lia, na lida de apanhar frutas para feitura de doces, compotas e licores.

 

      Ele não o fazia por préstimo, mas por subjetivo prazer. Mesmo constrangido diante da exposição das pernas de Dona Lia, que se fazia trepada nas árvores, Yuri não deixava de, furtiva e disfarçadamente, olhar para cima e fotografar, mentalmente, aquele monumento vivo adornado ora de branco, ora de preto. Yuri fazia o movimento da cabeça sincronizado com o de Dona Lia: quando esta olhava para cima ele também o fazia, sentindo o coração acelerado, a libido latejante e o rubor na face.

 

      Dona Lia lhe parecia ingênua, infantil, cândida, diante da sexualidade exacerbada do rapaz. Certo é que aquelas imagens do portal do paraíso seriam revivificadas para serem desnudadas em franca homenagem, nos momentos íntimos.

 

      O grande obstáculo era exatamente um dos amores platônicos de Yuri: Laura, sua colega de ginásio e filha de Liandra. Yuri assistiu ao desabrochar de Laura, que de menina peralta, pernas finas, esguia como vara de bambu e modos masculinizados, se transformara em angelical e escultural mulher, tal que lagarta em borboleta.

 

      Mas a primeira paixão de Yuri foi definhando lentamente, qual moribunda, na proporção que crescia a paixão por Liandra, a mãe. Laura já era vista como infantil e sentida como amiga, como uma irmãzinha e, neste aspecto, ela sempre se portou.

 

      Assim, como em relação a Laura, Yuri já não tinha devaneios com a hospedeira de sua segunda paixão, a professora Zélia, moça resolvida e desinibida, dona dos seios mais bonitos do planeta.

 

      Com a recorrência de Dona Lia aos préstimos do rapaz, e de outras situações prazerosas de furtiva intimidade e lascívia, Yuri se tornou homem forte, corajoso, salvador da pátria, pressentindo pleno contentamento da jovem senhora em se mostrar, em se expor para ele, deixando de ficar avexado para se sentir cortejado, desejado, amado o suficiente para desenvolver uma voraz paixão que incluía o duelo com o velho piloto, marido de Lia, viabilizando o rapto da ex-aeromoça e a viajem de ambos para a antiga ilha de Adão e Eva para, ali, consolidar nova humanidade...

 

      Lia residia na chácara vizinha e seus convites coincidiam com o treinamento em natação da menina no Clube dos Engenheiros. Yuri havia alterado toda a sua rotina e vivia o dilema de se declarar para a amada, para sua deusa, objeto único de suas oferendas vigorosas. Laura percebeu e o inquiriu.

 

      - “Lá pelas três, vá lá em casa para trocar uma lâmpada para mim, por favor, Yuri. A Laura pode te ajudar!” – Disse Dona Liandra, que conversava com sua mãe no portão de sua residência.

 

      Ele sabia que, naquele dia e horário, Laura estaria no treino de natação junto à equipe do Clube. Sabia que o borocoxô do piloto estaria a quatro mil milhas de altura sobrevoando o Trópico de Capricórnio... dedução que lhe reacendeu, num rastilho de pólvora, a paixão exacerbada por Dona Lia, ultimamente sumida.

 

      Entre o almoço e duas horas da tarde, o coração de Yuri galopava na antevisão paranoica do paraíso. O fluxo, a pressão e a temperatura do sangue eram sentidos em seu membro. Não conseguiu sossego nem cochilar após o almoço, como lhe era de costume. O tempo parou, o relógio parou. Foi ter com o carrilhão da sala de jantar: também este se arrastava em sofreguidão, conspirando contra seu amo.

 

      Toma um banho cuidando para não desperdiçar excitação.

      - Às três não dá: posso estar morto. Duas e trinta está de bom tamanho, nem cedo nem tarde, nem certeza nem o suplício da expectativa. Pensou.

 

      Foi ter com o sítio vizinho, onde encontra o portão e a porta principal da casa entreabertos. Vacila. Respira. Houve e Observa. Assunta a atmosfera.

 

      - “Oi de casa!”

 

      - “Oi de casa!” – Grita mais alto, já decepcionado pela ilusão do devaneio.

 

      - “É você Yuri?!”

 

      - “Sim, senhora!”

 

      - “Venha cá no quarto. A lâmpada!...”

 

      A porta do quarto estava aberta, as cortinas cerradas, a luz apagada, em lusco-fusco de tarde ensolarada. Dona Lia estava deitada na linha mediana da cama de casal, coberta dos pés ao pescoço, cabelos adornando o travesseiro. Um par de delicados chinelos quedava sobre o tapete, e o perfume de flores silvestres inundava o quarto.

 

      - “Entre e tranque a porta. Está ventando e eu estou morrendo de frio!”

 

      - “A senhora está doente?!”

 

      - “Pode ser que sim; veja se estou com febre; ponha a mão na minha testa!”

 

      Yuri, com o joelho direito e a mão esquerda apoiados ao colchão, constatou, com a mão direita, a mão da confirmação, que a mulher estava ligeiramente quente... mas não teve tempo de recolher a mão, nem de omitir opinião: caiu deitado sobre a mulher, agarrado e puxado pelos braços desta, que quedavam em doce armadilha.

 

      A Lia, a Leoa, no silêncio do bote, abraçou o rapaz para um longo beijo no arfar dos pulmões de maratonista. Nenhuma palavra, só o carinho prolongado das mãos de Lia nos cabelos do rapaz, em suas costas, em sua face, em seus olhos, em seus lábios. Olhos nos olhos, novo abraço, novos beijos.

 

      “Entre debaixo do lençol!” – Ordenou Lia, levantado, levemente, a lateral deste. Yuri, desvencilhando dos chinelos, se postou de bruços, envergonhado da barraca armada.

 

      As mãos da mulher deslizaram pelo corpo do rapaz desfazendo os botões que encontravam, retirando-lhe a roupa. Yuri constatou o aveludado do corpo nu, liso e eriçado, macio e teso, quente e sinuoso da mulher cobiçada.

 

      O rosto do rapaz é levado a deslizar pelo corpo escultural.  Beija-lhe os olhos, a face, a boca, os seios, e todo o delicioso percurso até o portal do paraíso, escultura singular na morfologia da ostra, recôndita nas entrecoxas, guardada por lábios carnudos, intumescidos e escurecidos, que mantêm velados os pequenos lábios,  finos, delicados, rosados, arroxeados nas bordas... perfume da orquídea; delicadeza da rosa; textura da flor de seda; aveludado da babiana; cores do lírio; mistérios da flor de maracujá; incrustado com  delicadíssima  pérola  estilizada  na  comissura dos grandes lábios... Flor; em flor; da flor... . . Lia retribui acariciando a cabeça, os ombros, os braços de Eros. Yurizinho segue riscando a tudo, ameaçando deitar essência de vida sobre os vales férteis da natureza.

 

      As garras, pernas e patas da leoa foram conduzindo sua caça para ser devorada, para a posição de monta, de coincidência de bocas, de cumplicidade de relevos, de encaixe do espadim na indevassável bainha úmida, quente e perfumada.  

 

      Afrodite não tem pressa. Busca eternizar o presente. Teme pela sofreguidão do macho. Impõe lânguido frenesi. Inspira pela alma. Preme. Aperta. Massageia. Acalenta. Suga. Respira apoteose.

 

      Yuri é admitido no paraíso, transpõe aquele monumental portal, colhendo a flor do paraíso, condição que sonhou eternizar. Ele sente que sua batuta rege a orquestra, que sequestra todos os seus sentidos, que bombeia o sangue para o coração, que subverte os neurônios e passa a ser a cabeça de corpo decapitado pela peçonha da fêmea.

 

      Delírio de amantes reprimidos, devaneio, fantasia, quimera urdida pela natureza de ninfa fertilizada. Estase que exaure e se realimenta de néctares soberbos, de forças da vitalidade, da copiosidade de desejos reprimidos para, extenuados, quedarem-se combalidos, letárgicos, caça e presa, presa e caça, ambos protagonistas de inverossímil epopeia de Édipo; ambos gladiadores privilegiados do circo da sedução; ambos mortos de prazer carnal.

 

     Não há senso nem consenso, não há razão nem compaixão, não há pudor nem respeito, só instintos em floração, em viajem só de ida que finda na praça da apoteose, na epopeia da chegada. Uma eternidade vivida em minutos para inveja dos deuses do Olimpo.

 

     Nenhuma palavra, nenhuma censura, nenhuma desculpa ou justificativa. Só beijos, só afagos, só ventura de amantes na ânsia incontida de devorar suas paixões.

 

      - “É meu presente pelos seus dezoitos anos. É meu presente pelo prazer da penetração de seus olhares. É minha cobrança às centenas de vezes em que fui referenciada como deusa em seu prazer egoísta. Não fale comigo nunca mais. Não me olhe nunca mais. Você há de esquecer este devaneio. Você não viu a meu corpo; não há imagem, só imaginação. Trauma a ser superado; lembrança a ser esquecida!”

 

      - “Você foi meu segundo homem, eu fui sua primeira mulher. Você foi meu primeiro, único e último amor que acaba de ser abortado, morto e sepultado. Foi o canto dos cisnes. Eu fui apenas sua paixão matrona e profana. Vá, não volte, não olhe para trás. Só lhe peço uma coisa: faça Laura feliz, ela lhe ama verdadeiramente, puramente, de todo o coração!”

 

fim

 

 

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MEDALHA DE PRATA:

 

ÉRIKA LOURENÇO JURANDY (RIO DE JANEIRO - RJ)

 

Emoções íntimas

 

Já era tarde da noite, quase madrugada. Em seu quarto, de cortinas verdes esvoaçantes, olhava para o teto, fitando o grande e imponente lustre de cristais multifacetados, que formavam uma perfeita espiral. Ao lado da cama, um criado mudo e um psicodélico abajur de plasma azul e rosa, com bolhas que subiam e desciam, fazendo seu pensamento ir além. Na mente ele, aquele belo homem de traços finos, olhos negros penetrantes, braços firmes e envolventes, voz melodiosa. Aquele mesmo homem que sempre estava ali ao lado, na porta do apartamento 732. O que estaria fazendo ele, naquele exato momento? Queria ser, só por alguns segundos, uma pequena mosca, para entrar sem ser notada e vê-lo, ainda que dormindo.

Ele estava sozinho naquela noite escura, que nem mesmo tinha lua ou estrelas. Estava perdido nos pensamentos do trabalho, mas, também, estava perdido na solidão. Seu corpo pedia por carinho, sua boca estava seca por receber beijos que pudessem tocar-lhe a alma. Queria estar com alguém que pudesse satisfazê-lo completamente, mas quem? Não queria qualquer uma e nem sabia quem desejava, já que não tinha alguém em mente. Ninguém sabia ou imaginava, mas ele era um romântico e, como tal, não buscava saciar somente a sua lascívia. Desejava amar na plenitude.

Ela já se dava por vencida pela insônia. Não adiantava ouvir uma música relaxante, não adiantava tomar chá de camomila. Talvez um banho quente resolvesse. Talvez. Talvez ler pudesse dar-lhe sono. Quem sabe. Entre levantar e ir até o banheiro, que ficava na porta em frente, preferiu estender os braços para o criado mudo, do outro lado da cabeceira da cama, pegando seu notebook. Iria ler. Sim, isto era bem melhor. Ler a faria dormir e até criar um bom sonho. Será que ela sonharia com o interessante vizinho do 732?

Ele estava mesmo carente naquele momento. E o melhor a fazer era extravasar aquele sentimento e seus desejos, suas emoções mais íntimas. Mais adequado seria vestir sua imagem virtual de escritor e lançar na rede suas necessidades daquele momento e, quem sabe, conquistar uma amante para todos os dias. Sentou em sua ampla mesa de ferro branca e designe futurista, iniciando um texto sensual, que resolveu intitular “emoções íntimas”. Não fugiria de sua veia romântica, de seu tato requintado com as palavras, mas, talvez pela primeira vez, se deixaria levar pelos sentimentos que pulsavam em seu corpo. E se ficasse um texto ousado, nada mais seria do que seu eu mais desnudo naquelas linhas de vontades ainda não saciadas.

Ela entrou em sua página de literatura amadora favorita, o “escreva.com”. Lá os textos pareciam ser desinteressantes e mesmo que sempre lesse todo tipo de gênero, naquele momento, buscava algo que nem mesmo ela sabia definir. Passando os olhos rapidamente pela lista de textos recentes, um tema saltou a sua visão: “emoções íntimas”. O nome do autor era conhecido: “Rick 732”.

Já não era de hoje que ela acompanhava os textos dele e o admirava, pois demonstrava ser um homem sensível. Talvez nem fosse tão interessante pessoalmente, mas, em texto, era fascinante! Sem muita demora ou devaneios, ela iniciou a leitura:

“Hoje estou sozinho em meu quarto, deitado sobre esta escrivaninha branca, gélida e solitária, somente com meus pensamentos e desejos mais íntimos. Queria estar acompanhado de uma mulher que entendesse minhas necessidades e pudesse compartilhar comigo momentos de intenso prazer, tanto físico quanto emocional. Minha boca queria beijar intensamente os lábios desta mulher, beijar de maneira tão profunda que todo o corpo respondesse e quisesse manter o contato mais íntimo e intermitente. Beijos que seriam degustados, desejados, que abririam caminho para carinhos e carícias. Beijos que se dissipariam pelo corpo, pelo dorso, pelo anverso. Queria tocá-la, mas não somente no corpo, mas na alma. Tocá-la como nunca a tocaram antes. Queria poder deixar minhas mãos percorrerem todo o rosto, todo o resto, sem pressa, sem tempo para parar. Toques leve, delicados, mas intensos. Toques em todos os lugares, nos pontos certos e incertos, fazendo com que ela descobrisse os mais impiedosos e enlouquecedores sentidos, tendo novas experiências a cada sentir. Talvez me concentrasse em determinados locais ou fosse maldoso, continuando a provoca-la sem parar, até que ela pedisse algo mais. Saberia o momento certo para tudo começar, sem minutos ou horas para cessar. Tudo seria permitido e não haveria limites entre nós. Na minha cama ou na dela, ou mesmo em cima desta mesa branca e fria. Não importa. Só importaria nós dois...”

Ele queria continuar a escrever, mas preferiu não ir além. Seu corpo desejava algo que não teria naquele momento, não valendo a pena continuar com a imaginação que não iria passar a ação. Melhor ir dormir. Do outro lado da tela, Ela imaginava aquele homem maravilhoso e aqueles momentos de puro prazer. Queria tanto ser a mulher com quem Ele iria compartilhar aquelas emoções íntimas. E não desejava apenas o prazer de tudo aquilo, mas a magia que estava contida em cada entrelinhas. Decididamente ele não era só mais um homem cheio de sedução, com palavras envolventes e texto interessante. Era alguém especial. “Mas, que devaneio! É só um texto”, pensou Ela, que decidiu desligar seu note e ir dormir.

Na manhã seguinte, Ela acorda de sobressalto. Estava atrasada. Ele, como de costume, arrumava-se para ir trabalhar. Estranha e coincidentemente, Eles se esbarram ao saírem de seus respectivos apartamentos e um enorme e agradável arrepio invade seus corpos. Ela, finalmente, encontra um meio de falar com o vizinho interessante do 732; Ele sente que, talvez, Ela possa ser a companheira que procurava para compartilhar todas as suas emoções íntimas... 

 

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MEDALHA DE BRONZE:

 

ANTÔNIO PAIVA RODRIGUES (FORTALEZA - CE)

 

AS DELÍCIAS DO AMOR

                              

Enquanto as delícias do amor você se entregava, os seus sonhos jamais seriam meras fantasias. Sobre a relva verde repleta de flores tu caminhavas, a vida reluzia, a sua beleza irradiava simpatias. Os belos e viçosos cabelos ao sol cintilavam em cor. As esperanças aumentavam e denotavam energias, liberto das amarras que nos prendiam veio o amor, num coro suave de aves, o astro rei não desfalecia. Brilhava, e sua energia iluminava nossos corações, sempre te amarei e viverás sempre ao meu lado. Para que possamos suspirar juntos emanando emoções, não almejo ficar só, pois seria reviver o passado. De laços materiais me liberto revendo delícias celestiais.

Que os anjos abençoem nosso amor forte e reverberado, entre suspiros, beijos, abraços, almejaremos sempre mais, o elo que nos une tem encantos e prazeres deslumbrados. Amar e se amado é algo de excepcional e de eternas alegrias. A união faz a força e com ela nos fortalecemos no dia a dia. As delícias do amor nortearão nossos corações com sensações luzidias, nossa união será selada, fortalecida com caricias, atrelando nossos corações sem rebeldia. Entre elos e paixões alucinantes, conflitos! Discussões são anormais.

No rol do amor, do afago são expectantes, de dois corpos com intimidades geniais. Amor não é paixão, paixão não é amor, dos conflitos surgem carícias fenomenais, o desejo de te amar é um grande esplendor, o seu convívio é imantado por beijos divinais. Amar e ser amado, eis a grande questão, já dizia o sábio das sentenças amorosas. Encontrar joias é fácil, difícil é a lapidação, com seivas, rosas e perfumes não demoras. A te entrego o meu amor sem medo de ser feliz. Eis aqui bela donzela de aspecto fulgurante, a iluminação do coração reluzente que desdiz, que me completa com seu amor deslumbrante. Amor... Amor!

 

 

 

 

 

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