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ENTREVISTA COM PAULO CALDAS NETO
ENTREVISTA COM PAULO CALDAS NETO

ENTREVISTA – PAULO CALDAS NETO

 

  1. Quando você começou a se aventurar na literatura? Sofreu influência direta de parentes mais velhos, amigos, professores? O que aprendeu na escola o instigou a criar textos?

PCN – O meu contato com a leitura começou desde a infância com estórias em quadrinhos: Homem-aranha, Super-homem, Tio Patinhas, O Fantasma etc. Meu pai era professor e advogado. Quando assumiu uma direção escolar na Rede Municipal de Ensino de Natal/RN, tinha o costume de trazer revistas em quadrinhos para que eu aprimorasse o meu hábito de ler. Depois, vieram os livros infanto-juvenis no Ensino Fundamental II, à época ginásio; para ao final, durante o Ensino Médio, eu conhecer José de Alencar, Machado de Assis, Castro Alves, Álvares de Azevedo, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Murilo Mendes, Vinícius de Moraes e outros. Lia tanto poemas quanto crônicas, contos e romances em prosa. Muito tempo depois veio a literatura de cordel. O teatro também me chamava a atenção, e assistia, aos domingos, no Teatro Jesiel Figueiredo, em Natal, próximo à escola onde eu estudava, encenações dos famosos contos de fadas (Cinderela, Branca de Neve e os sete anões, João e Maria etc.). Meu pai sempre foi um leitor voraz e nos contava histórias, a mim e ao meu irmão menor, quase todas as noites, antes de dormirmos. Um hábito que hoje em dia não existe mais, infelizmente. Na escola, eu tive bons professores de línguas, história, geografia, artes; mas, especialmente de literatura, nenhum. No Ensino Médio, praticamente, eu aprendi a disciplina com a ajuda de papai e também graças ao meu interesse. A partir daí, comecei a ler bastante. Ao ingressar, no ano 2000, no curso de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, as leituras se intensificaram tanto por obrigação quanto por prazer. Mas eu me lembro que, ainda na escola, produzi o meu primeiro romance em prosa, Vicente, com apenas 15 anos. Em seguida, vieram a produção de poemas e crônicas.

 

  1. Você já leu muitas obras e lê frequentemente? Que gêneros (poesia, contos, crônicas, romance) e autores prefere?

PCN – Muitas, eu acredito que já li, mas não todas. Isso é impossível. A cada dia, surgem novos autores. Existem aqueles escritores com os quais você não se identifica e lê pouco. É o caso de Guimarães Rosa. Eu não gosto muito. Não me identifico com a escrita subversiva dele. Prefiro o tradicional. Contudo, não estou dizendo que ele não seja um relevante escritor, o qual não merece a nossa atenção. Tem importantes obras, como “Grande Sertão: veredas”, que virou até minissérie da Rede Globo. Os contos de Guimarães costumam superar até o próprio romance. Eu leio tudo: conto, crônica, romance, ensaio, poema, letra de música. Meus autores preferidos são na literatura estrangeira: Kafka, Dostoiévski, Baudelaire, Gabriel García Marques e Lorca; na literatura nacional, são muitos: Vinícius de Moraes, Augusto Frederico Schmidt, Ferreira Gullar, Cecília Meireles, Cruz e Souza, Ivan Junqueira, Ana Cristina César, Caio Fernando Abreu, Lygia Fagundes Telles, Rubem Braga, Rubem Fonseca, Érico Veríssimo, Luís Fernando Veríssimo etc. Na literatura do Rio Grande do Norte, a lista é bem maior, a começar pelo grande Luís da Câmara Cascudo, passando por Lourival Açucena, Henrique Castriciano, Auta de Souza, Ferreira Itajubá, Carolina Wanderley, dentre outros da Contemporaneidade. Os potiguares que me perdoem se esqueci alguém (risos).

 

  1. Costuma fazer um glossário com as palavras que encontra por aí (em livros, na internet, na televisão etc.) e ir ao dicionário pesquisá-las?

PCN – Toda vez que leio, procuro prestar a atenção naquelas palavras que não conheço o significado. Aquilo me atrai, e aí imediatamente vou ao Dicionário Aurélio, Houaiss, Aulete, os que tenho em mãos, procurar o significado. Descubro várias regências; vários sentidos e vou memorizando-os para usá-los em meus textos. Os dicionários que mais consulto são os de sinônimos (embora na nossa língua portuguesa não existam sinônimos perfeitos, e é preciso ter cuidado na hora de usar) e os de regências verbal e nominal. Os dicionários on-line de rimas também me instigam, principalmente, quando escrevo versos com métrica regular e rimas. Glossário mesmo, escrito, eu não organizo; eu vou me deparando com as palavras, aprendo aos poucos os sentidos e vou usando.

 

  1. Há escritores de hoje na internet (não consagrados pelo povo) que admira? Em sites, Academias de que de repente você participa etc.?

PCN – Na internet, não muito. Na vida real, sim, claro, muitos. Principalmente, no âmbito da literatura do RN. Prefiro, ao contrário dos que citei em questão anterior, não ficar mais nomeando ninguém. A literatura do RN tem a minha admiração maior. Ela é especial para mim, sobretudo porque nela as mulheres se destacaram mais. Há muitas escritoras no RN. Poetisas, nem se fala! A primeira delas foi Auta de Souza, irmã de Henrique Castriciano, poeta, cronista e ex-vice-governador do estado durante a República Velha. Na Academia Assuense de Letras, do município de Assú, interior do estado do RN, tenho contato com alguns escritores e músicos que admiro. Na União Brasileira de Escritores – seção RN, primeira das entidades culturais de que participei e de que ainda participo, também há bons autores. Na Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do RN, outra entidade da qual sou associado, há vários.

 

  1. Você costuma participar de antologias? Acha-as algo interessante? Participaria de uma se eu a lançasse?

PCN – Eu, tendo condições no momento, participo, porque também sempre há custo cobrado ao autor que deseja participar. Acho-as importantes porque promovem a interação entre os escritores e ajudam na divulgação do trabalho de cada um. O livro autoral demora para sair, e, assim, o público não tem a oportunidade de conhecer de imediato a escrita e o estilo daquele autor. Nesse ponto, as antologias são mais hábeis, especialmente, quando vêm para premiar trabalhos de autores desconhecidos. Os concursos literários devem continuar com o seu trabalho, selecionando a cada dia novos autores, para que estes saiam do anonimato.

 

  1. Você é membro de Academias de Letras? Aceitaria indicações para ingressar em Academias de Letras como membro?

PCN – Sou membro, por ora, da Academia Assuense de Letras, que fica no município de Assú/RN, muito embora eu tenha nascido no município de Mossoró/RN e resida na capital do estado, Natal, desde muito pequeno. Ocupo, na referida academia, a cadeira de nº 08, cujo patrono é o Pe. Joaquim Alfredo Vespúcio Simonetti, um ex-pároco da cidade. Faço parte também da União Brasileira de Escritores – seção RN e de sua diretoria executiva, na condição de 2º secretário. A Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do RN me tem como associado. A Associação Poetas del mundo chegou à minha vida recentemente, mas não sou um membro muito ativo, mesmo porque é de caráter hispânico, e eu não tenho tempo para viver viajando pelos inúmeros países latinos, participando de suas conferências. Eu até aceitaria convite para participar de outras academias e entidades. Mas tendo anuidade, vou preferir recusar, pois um professor como eu, mesmo federal, tem outras despesas mais urgentes (risos).

 

  1. Tem ideia de quantos textos literários já escreveu? Há quanto tempo escreve ininterruptamente?

PCN – Escrevo desde os 15 anos. Houve momentos na minha vida em que tive de priorizar os estudos secundaristas e universitários, é claro, deixando o fazer poético de lado temporariamente. Comecei escrevendo um romance em prosa a pedido da professora de literatura do colégio onde eu estudava. Lembro-me de que seria um trabalho para nota e que, ademais, integraria um singelo concurso literário, realizado na escola. Tirei nota 10,00, e meu romance foi considerado, à época, um dos melhores já escritos. Tempos depois, escrevi um poema que dediquei a uma professora minha de língua portuguesa do 1º ano do Ensino Médio. Naquele tempo, eu estava embriagado pelos poetas ultrarromânticos, de modo que o eu lírico era um sofredor apaixonado. A professora soube do poema. Agradeceu-me, mas acabou virando um amor impossível, exatamente como nos romances românticos da literatura dos Oitocentos. Eu era muito sentimental, ainda sou um pouco. A verdade é que as desilusões amorosas e o amadurecimento vão, aos poucos, deixando-o mais experiente e racional. É da vida, que é bem diferente da ficção. Após isso, conforme falei, vieram crônicas. Na universidade, conheci o gênero ensaio acadêmico e passei a produzi-lo mais ao lado do gênero, menos poético, artigo científico. Realmente, hoje, não faço mais ideia de quantos textos produzi, somente de quantas obras já publiquei até agora.

 

  1. Você tem dificuldade de escrever em prosa, em verso? 

PCN – Nunca tive dificuldade de escrever nessas duas categorias. Mas teve um tempo, na universidade, que me desiludi com o poema. É que participei de um concurso de poesia aqui no meu estado, no ano de 2001, “O Luís Carlos Guimarães”, em homenagem ao falecido poeta, juiz de direito e ex-professor da UFRN. Eu ainda era graduando em Letras. Fui desclassificado. Nem menção honrosa, eu ganhei. Depois disso, ainda houve um professor problemático, que tive na graduação, que me desmotivou, dizendo coisas absurdas sobre os meus versos. Fez uso até de palavras de baixo calão para menosprezar os meus poemas. Disse que o meu caminho era a prosa de ficção. Durante alguns bons anos, acreditei nisso. Aos poucos, anos mais tarde, eu voltaria a escrever poemas, contrariando o parecer desse professor que se achava “um educador”. O fato é que 11 anos depois, já graduado, pós-graduado e professor federal, eu viria a ser descoberto no referido concurso, merecendo o 3º lugar. Esse professor ficou sabendo e quis se passar como meu amigo de longa data a fim de se promover à custa da minha vitória. Como eu não dei atenção, ele novamente se vingou da forma mais baixa possível: escreveu “um prefácio”, destruindo os meus poemas e os de todos os outros poetas premiados, que haviam sido recolhidos para uma antologia poética para a qual ele havia sido convidado a organizar e a revisar. Acabou que os meus poemas vieram, propositalmente, também com erros de digitação, causados pela não revisão criteriosa dele, e mais uma mancha ficou na minha vida e que tive de superar gradativamente. Ele foi apenas o primeiro de muitos professores dos tempos da UFRN e de muitos escritores aqui do RN com os quais eu viria a ter problemas. Infelizmente, como em toda área, na área cultural há inveja, competição, muita vaidade e arrogância. A universidade é assim, nunca dará bons exemplos. É nessas horas que eu me recordo de Ariano Suassuna quando ele costumava afirmar: “escritor é um ser muito vaidoso”. Se você não tiver bastante paciência e jogo de cintura para relevar certas coisas, você se irritará à toa. O que consola é que, pelo menos, você encontra pessoas ao longo do caminho, dispostas a ajudá-lo e a incentivá-lo no seu ofício.

 

  1. Você possui algum lugar onde publica textos virtualmente? Qual? 

PCN – Até 2011, eu mantinha um blog intitulado “Miragens e prismas”. Contudo, acabei desativando-o pela falta de leitores e de tempo para alimentá-lo. Anos depois, abri uma página no site “Recanto das Letras”. No início, alimentava-a constantemente, mas também foi perdendo a graça, porque nem sempre você descobre quem tem interesse em ler o que você escreve, e, às vezes, também quem tem tempo para acessar a sua página. Eu ainda a tenho para quem quiser ler algumas das produções que lá se encontram. Porém, não escrevo mais nela com tanta frequência.

 

  1. Que temas prefere escrever? Prefere ficção ou o que vivencia e vê no dia a dia?

PCN – Eu não tenho um tema fixo. Isso depende muito do contexto, da situação que eu experimento. Eu procuro me atualizar sempre. O escritor precisa estar atento ao contexto em que vive. Assim, poderá intervir em certas questões, problematizando-as e propondo soluções. É um ativismo social interessante. Não sou uma pessoa que tem compromissos partidários, nem ideológicos. Considero-me apenas um democrata, preocupado com as questões sociais. A literatura precisa se engajar e não só ser usada para que o escritor crie o seu próprio mundo e se isole da realidade. Esses rompantes ultrarromânticos nunca fizeram bem à arte, nem à vida. Creio que a transformação pelas vias da democracia acontece a partir do instante em que você participa e intervém. É a sua obrigação enquanto cidadão brasileiro. Leio de tudo um pouco: ficção, história, poesia, música, religião, filosofia e política.

 

  1. Aprecia outros tipos de arte usualmente? Frequenta museus, teatros, apresentações musicais, salões de pintura? Está envolvido com outro tipo de arte (é pintor, músico, escultor?)

PCN – Eu sou apaixonado por música, especialmente erudita. Também gosto da vertente popular. Começo a compor. Uma canção minha, em parceria com o violonista e compositor popular Roberto Lima, advogado e ex-professor de filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), foi gravada no “CD Poetas em cantoria”, lançado em outubro de 2017. Um xote chamado “Da tua pele, saem brasas”. A letra é minha, e a música é de Roberto. Este foi presidente da União Brasileira de Escritores-seção RN. Roberto teve a ideia de lançar o projeto “Canção com poesia”, que almejava a musicalização de poemas de confrades da associação cultural. Ele gostou desse meu poema que eu transformei em letra de música e depois construiu a pauta musical. Quem a interpreta no CD é seu irmão, Evaristo Neto, que é cantor popular. A música foi o primeiro chamado na minha vida, porém, eu só pude concretizar o sonho de estudá-la aos 35 anos, depois que concluí o meu doutorado em Estudos da Linguagem na UFRN. Meu pai era um simples professor estadual e municipal e, tempos mais tarde, bacharelou-se em Direito também pela UFRN. Ainda assim, era um advogado sem muita influência na área dele e jamais teria condições financeiras de me dar um piano, muito menos me matricular em aulas de música. Dessa forma, o sonho teve de ser procrastinado até eu conseguir ter uma renda própria e suficiente para iniciar os estudos musicais. Acho que a literatura, o segundo chamado, acabou compensando a lacuna deixada pelo primeiro. Eu quero me tornar um bom instrumentista, pianista e compositor, tanto erudito quanto popular. Também frequento, sempre que é possível, o cinema, outra arte que gosto de degustar, o teatro, e assistir a um bom concerto ou recital. No momento, eu estou mais envolvido com a música e com as pesquisas nas áreas de literatura e cultura potiguar. Tenho produzido poucos textos literários.

 

  1. Que retorno você espera da literatura para si mesmo no Brasil? E a nível de mundo?

PCN – Eu espero reconhecimento do meu trabalho como escritor. Na minha terra, as pessoas não costumam dar muito valor ao que se produz na área cultural. É pena! O próprio poder público também não faz a sua parte. Se a minha produção como escritor puder romper os muros provincianos do RN, eu ficarei muito satisfeito. Aliás, ela já está ganhando o mundo. Em 2016, eu tive poemas selecionados para a coletânea “II Seminário Internacional Encontro das Américas: literatura, arte e cultura em terras potiguares”, organizada, por ocasião desse evento no RN, por Dyandreia Portugal e Juçara Valverde, ambas da UBE-RJ. A própria Dyandreia ficou encantada com a minha produção. Eu confesso que não esperava que ela me direcionasse um e-mail, parabenizando-me tão intensamente. Havia dito que talentos como eu merecem sempre um olhar muito especial. Eu fiquei muito agradecido. Quem um dia poderia imaginar que eu, nascido num estado federativo sem muita expressão cultural, poderia, um dia, ter a minha obra projetada para o exterior? Nós, às vezes, não ambicionamos ir muito longe, entretanto, o destino acaba conspirando contra nós.

 

  1. Você acha que o brasileiro médio costuma ler? Acha que ele gosta de literatura tradicional ou só de notícias rápidas e sem profundidade?

 PCN – Eu acho que isso está mudando um pouco com a internet, com os e-books. O brasileiro não tem costume de ler muito por falta de tempo, de dinheiro, por falta de uma boa educação formal ou por falta de quem, no ambiente doméstico, o incentive. Ainda assim, muita coisa precisa melhorar. Tudo parte da família e do Estado. Ambos têm de cumprir o seu dever. Está na Carta Magna, no Título Educação. Se um ficar sempre empurrando a responsabilidade para o outro, nada será mudado. A leitura precisa ser cultivada desde os primeiros anos de vida e complementada com o planejamento e gerenciamento dos órgãos governamentais, comprometidos com o sistema de ensino. No que diz respeito ao fato de o brasileiro gostar mais da literatura tradicional ou da contemporânea, é lógico que ele sempre vai preferir ler o que ele entende, o que faz parte de sua realidade. E isso não deixará nunca de ser algo complexo. Não podemos confundir complexidade com futilidade. O que necessita ser trabalhado é a capacidade que o brasileiro tem de ser crítico de suas ações, de seu tempo. Assim, a literatura, seja ela qual for, terá significado na vida dele e virará um hábito.

 

  1. Você costuma registrar seus textos na FBN antes de publicá-los? Sabe da importância disso?

 PCN - Eu tenho conhecimento da importância do registro oficial da obra. No Brasil, A Fundação Biblioteca Nacional é o órgão, ligado ao Ministério da Cultura, responsável por tal tarefa. A obra precisa existir. É o que determina a lei para evitar qualquer tipo de violação aos direitos autorais. Praticamente uma proteção pelos próximos 70 anos, contados a partir do ano subsequente ao da morte do autor. Depois disso, entra em domínio público, o que não quer dizer que poderá ser violada. Muito pelo contrário. Apenas qualquer pessoa terá a liberdade de lucrar com uma obra que não é de sua autoria. As editoras do RN que publicam os meus livros já possuem um cadastro próprio na Agência Nacional do ISBN. Assim que finalizam a produção, solicitam o ISBN. Eu não tenho o trabalho de fazer isso.

 

  1. Já tem livros-solo publicados? Consegue vendê-los com certa facilidade?

 PCN – Possuo dois livros de ensaios. Um deles foi a minha dissertação de mestrado. Um estudo sobre o teatro cômico do escritor paraibano Ariano Suassuna. Ambos foram publicados pelo selo editorial “Nave da palavra”, criado pela União Brasileira de Escritores-seção RN, de onde sou associado. O primeiro, fruto de um prêmio literário promovido pela citada entidade, saiu em 2012; o segundo, que foi o estudo suassuniano, em 2013. Este ano (2018), lançarei um livro de crônicas e um Zine contendo 12 poemas meus não musicados. Aqui, no RN, os escritores e músicos costumam produzir poucos exemplares ou cópias de seus títulos, porque vendem muito pouco. Aí, a tiragem esgota rápido; reflexo da desvalorização da cultura local.

 

  1. Já conhecia o poeta-escritor Oliveira Caruso (desculpe-me... Esta pergunta é padrão para quem participa de meus concursos literários)?

 PCN – Não, não conhecia. Tanto que quando recebi por e-mail o convite para participar do concurso literário, fui pesquisar sobre ele na internet e busquei também informações a respeito no e-book da última edição do concurso, enviado por ele, pelo e-mail. A princípio, pensei que fosse alguma armação. Você sabe: até na internet você precisa se proteger. Graças a Deus foi alarme falso.

 

  1. Você trabalha com literatura inclusive para aumentar sua renda ou a leva como um delicioso hobby?

 PCN – Sou professor de língua portuguesa e de literatura. De certa forma, ganho dinheiro com isso. Já como escritor, é somente um hobby. Vendo os meus livros sempre que dá, mas viver de escrever e de compor música, no Brasil, não ajuda a pessoa a sobreviver. Aliás, pouquíssimos têm o privilégio de viver só da própria escrita ou da própria música. Fico pensando se em outros países é muito diferente.

 

  1. O espaço está aberto para as suas considerações finais.

 PCN – Só desejo agradecer pela entrevista. Espero que possa ajudar na divulgação do meu trabalho.

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