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ENTREVISTA COM LUIZ POETA
ENTREVISTA COM LUIZ POETA

  1. De onde você é? Quando você começou a se aventurar na literatura? Sofreu influência direta de parentes mais velhos, amigos, professores? O que aprendeu na escola o instigou a criar textos?

  R.: Nasci no Rio de Janeiro, no bairro de Bangu, no Morro do Retiro, que margeia a estrada do Engenho, nº 1815 – casa 7. A última vez que fui lá, tudo estava muito mudado e fui recebido por um cidadão mal encarado – estava com minha filha Michelle, naquela época, com três anos. Fui lá na intenção de retirar um pouco de barro para fazer meus bonequinhos e mostrar para minha filhinha, hoje com 36 anos. Peguei 20 quilos daquela argila com a qual havia construído um cachorrinho e um cavalinho na escola primária Norbertina de Souza Gouveia onde estudava, também conhecida por “Chalé”, porque parecia uma casa grande, de fazenda. Impressionadas com minha precoce “performance”, a diretora chamou minha mãe à escola para que ela explicasse onde eu tinha aprendido a fazer os tais bonequinhos. Foi meu primeiro sucesso artístico ( risos ) : eu tinha oito anos.

 Muita gente me pergunta se o meu “Luiz Poeta “ é nome ou apelido: digo-lhes que deixou de ser um pseudônimo para ser minha marca registrada, pois quando aprendi a ler e a conhecer poesia, deixei vazar meu sangue na primeira página que me apareceu. Registrei-o no “Marcas e Patentes “. Ainda no ginásio, conquistei minha primeira medalha por uma redação que fiz ( primeiro lugar ). Daí em diante – digo isto com muita humildade - o nome Luiz Poeta passou a ser inevitável e fui batizado pela literatura, pois minhas consecutivas vitórias em concursos de música e poesia impeliram as pessoas a me chamarem de poeta. Não foi um nome inventado: Deus me deu. Meu pai tocava flauta de bambu e era um cidadão que o povo chamava de “poeta da roça” ( Que honra para mim ! ) . Acho que herdei dele essa vocação. A leitura dos grandes clássicos aprimorou meu conhecimento, e os professores, indubitavelmente fizeram a diferença, mas meu melhor professor foi minha professora primária: Dona Maria Alice. Essa ensinou-me a respeitar meu livro e a amar seus conteúdos. 

  

  1. Você já leu muitas obras e lê frequentemente? Que gêneros (poesia, contos, crônicas, romance) e autores prefere?

 Acho que Já li o suficiente para minha formação, mas considero-me um eterno aprendiz e entendo que o bom livro é como a boa música, não importa o estilo que retrate; se a leitura me faz bem, considero-a boa. Cada autor que li certamente inspirou-me a ser quem sou. Costumo dizer que, quando a imitação se torna imperfeita, tornamo-nos nós mesmos. É assim que me sinto: imito-me.

 Entretanto, quando alguém me pergunta sobre o que é preciso ter para se lançar um livro, respondo,  usando um único substantivo: “Dinheiro”.

 Claro, que os que lerem isto discordarão de mim, falando sobre conhecimento, estudo e essas baboseiras que movem os pseudoescritores e intelectualoides, mas digo isto porque tenho “lido” muitas obras ricas em abobrinhas, deslizes morfossintáticos e afins – e o fazem suas tardes de autógrafos nas melhores e mais caras livrarias do país: são livros normalmente com letras douradas mas com conteúdos enferrujadíssimos – e caros, pasmem. Quando leio uma obra desse tipo, sou diplomático sem ser deselegante, mas evito elogios mentirosos. E o pior é que os autores supracitados são normalmente arrogantes, narcísicos e egocêntricos. Por outro lado, há escritores que faço questão de ler toda a obra não apenas quando os prefacio, mas quando algo que escrevam embevece-me principalmente pela criatividade. Gosto de ler quem conheço, sem violentar-lhe  os conteúdos como quem disseca um feto. Quando fazem isto ao ler-me, fico “p” da vida, pois quem põe azulejo sabe quando está mal colocado e, apesar de nunca ler alguém buscando defeitos, como alguns idiotas fazem, vejo logo os azulejos mal colocados. Quando ouço ou leio a expressão “escolinha de futebol “ acho que ela me faz mal, porque o bom jogador já nasce feito, porém quando alguns fazem "escolinha de poesia” e já saem por aí arrotando “literaturices” aí vejo  que o mundo está perdido, pois alguns ficam logo pedantes e simplesmente buscam parafrasear, quase que na íntegra, os autores que leram – muitos fazem isso e quem os ensina não tem muita opção além de utilizar esta didática parecendo não adverti-los sobre a cópia ruim e a falta de conteúdo e criatividade.     

  

  1. Costuma fazer um glossário com as palavras que encontra por aí (em livros, na internet, na televisão etc.) e ir ao dicionário pesquisá-las?

 Não sou do tipo “laboratorial “, como alguns “tarados lexicais” que pesquisam  passionalmente a maioria dos verbetes, todavia entendo que às vezes uma palavra fica muito melhor que outra na composição de um texto e opto por ela.

 Digo normalmente que uma página de dicionário sabe mais do que um auditório inteiro, incluindo o palestrante; por isso seria leviano falar que não utilizo o dicionário: faço-o ( e recomendo ) sempre que necessário, embora seja professor de Literaturas Brasileira e Portuguesa ( e de Língua Portuguesa ) há mais de 40 anos, mas não sou – convictamente – e nem me considero  nenhum super-herói gramatical.  

 

      4. Há escritores de hoje na internet (não consagrados pelo povo) que admira? Em sites, Academias de que de repente você participa etc.

 Conheço muitos, nessa multidão de estelionatários da palavra, porém evito citar os que considero bons, para não magoar os outros. Honestamente, não é todo texto que leio na íntegra, mas alguns são realmente embevecedores e destes não abro mão. Certa vez me ofereceram um belíssimo livro caríssimo, mas com flagrantes erros ortográficos, sintáticos, rímicos e o pior, métricos. Foi difícil, mas inventei uma desculpa e não o adquiri, pois a lixeira seria o seu destino, pois era muito ruim e o autor não só pensava em pagar o prejuízo com a edição, mas desejava, sim, fazer do livro, um comércio “ilegal”.       

 

  1. Você costuma participar de antologias? Acha-as algo interessante? Participaria de uma se eu a lançasse?

 Tenho mais de 90 antologias das quais participei - em línguas inglesa, francesa, italiana, espanhola e portuguesa e acho a ideia bastante interessante porque temos a oportunidade de sermos lidos ( e de ler ) pelo menos pelos componentes das mesmas, mas confesso que não tem havido critério na escolha dos autores, pois alguns são muito fracos mesmos, entre outros que se esmeram para compor um belo trabalho literário.

 Houve uma ocasião em que publicaram algumas obras minhas em espanhol e uma escritora argentina amiga minha ficou indignada com as versões, pois todas foram feitas a la “google”, numas traduções que simplesmente tornaram-se surrealistas. Fiquei muito chateado com essa atitude e passei a desconfiar de algumas antologias bilíngues. Atualmente, estou optando por lançar meus próprios livros, pois estou gastando muito com essas antologias e procrastinando meus sonhos mais significativos, por não poder guardar meu orçamento para esse fim.

 Quanto a participar de uma antologia promovida por você, fá-lo-ia prazerosamente, porque o considero muito como ativista cultural, mas teria que estudar essa possibilidade com o devido carinho.

 

  1. Você é membro de Academias de Letras? Aceitaria indicações para ingressar em Academias de Letras como membro?

 Sou presidente – por dois mandatos – da Academia Pan-Americana de Letras e Artes  e estou me retirando já no final deste ano. Trabalhei muito mesmo ( tive inclusive um infarto – fiquei dez dias num CTI ) e  percebi que a maioria das pessoas que entram para uma diretoria acadêmica fazem-no apenas para melhorar os seus releases e fico imaginando: se numa diretoria de 15 membros, pelo menos dez fossem às reuniões, teríamos público para os palestrantes, porém se nem eles vão – embora alguns deles sejam mestres em criticar – como pode uma entidade que presta serviço à cultura sobreviver ?

 Acho que está ocorrendo uma “academiofagia” onde um grupo de parceiros tem-se organizado para montarem um único núcleo, retirando – indiretamente – os componentes das demais entidades para as suas, promovendo palestras repetitivas nos dias dos sodalícios das outras, mas ninguém gosta que se mexa na ferida aberta. De minha parte, frequento mesmo as das quais sou membro, como a UBE, a própria APALA  e a União Brasileira de Trovadores ( de onde sou Diretor Musical )  o que ocorre em dias dos quais posso dispor.

 Há pouco tempo fui acusado ( de maneira taxativa ) de não participar de algumas reuniões de outras academias e fiquei muito desapontado com isso, porque as pessoas nada sabem das nossas vidas e, além de não participam dos nossos sodalícios, sempre exigem que tenhamos que ir aos deles.

 Sou um cara que mora longe do centro, quando vou às reuniões, faço-o nos meus dias de folga, para não comprometer meu trabalho, mas não abro mão da fidelidade às entidades às quais sou filiado, como as supracitadas; por isso rejeito alguns convites pela própria falta de disponibilidade, motivo pelo qual nada cobro de ninguém e também não admito que me cobrem ( à exceção dos casos já  informados, como o dos acadêmicos infiéis ).

  

  1. Tem ideia de quantos textos literários já escreveu? Há quanto tempo escreve ininterruptamente?

 Sou um escritor compulsivo e já fui capaz até de escrever em uma folha seca, para não perder a ideia. Em 1980, tinha mais de dez mil textos escritos e como estamos em 2016 – 36 anos depois, já perdi a conta e não tenho nenhuma vontade de fazer a recontagem. Quando algum incrédulo acha que estou mentindo, convido-o para visitar-me e fazer este favor para mim: contar, uma a uma, minhas obras.  

 

  1. Você tem dificuldade de escrever em prosa, em verso? 

 Quando escrevo em prosa, não abro mão das figuras, o que às vezes pode tornar meu texto cansativo, embora não seja prolixo, mas considero o texto literário como uma obra de arte, por isso busco dar o melhor de mim. Quanto à poesia, ela me flui e reflui. Sou poeta por excelência, mas já  ganhei alguns concurso de crônicas e contos. Gosto de desfazer o mito do nome “Luiz Poeta”, superando-me também na prosa.

 

  1. Você possui algum lugar onde publica textos virtualmente? Qual?

 Tenho um facebook que sempre esbarra nos cinco mil seguidores – graças sempre a Deus - e às pessoas que admiram e respeitam o meu trabalho – já publiquei e publico em diversos sites nacionais e internacionais, principalmente em países de Língua Portuguesa e Hispânica ( não saberia relembrá-los agora, por isso cito os “Confrades da Poesia”, as revistas  Luna y Sol ( espanhola ) Fénix, CEN, eisFluências”, Távola Literária, Clube de Poetas e muitos outros ( uma ida ao Google mostrar-me-á – e à minha obra – noutras sites de cujos nomes não me recordo no momento ).   

 

  1. Que temas prefere escrever? Prefere ficção ou o que vivencia e vê no dia a dia?

 Qualquer um. Sou filho da abstração, porém meu olhar denuncia as injustiças sociais, e não há como não tematizá-las. Posso ser lírico, humorístico, satírico, crítico etc., tematizando os sentimentos humanos e provocando meu “eu-lírico”. Meus poucos textos eróticos ( que opto por chamá-los de sensuais  ) não gosto de banalizá-los e evito expressões chulas por considerá-lo também uma obra de arte literária.  

 

  1. Aprecia outros tipos de arte usualmente? Frequenta museus, teatros, apresentações musicais, salões de pintura? Está envolvido com outro tipo de arte (é pintor, músico, escultor?)

 Sou artista plástico e já ganhei algum dinheiro com isso em priscas ocasiões; já fiz trabalho em madeira, em barro, em metal... sou músico e compositor e também já realizei alguns shows nos teatro Gláucio Gil, Armando Gonzaga e noutras casas de espetáculo, mas atualmente limito-me em tocar e cantar em algumas reuniões quando sou convidado e quando posso ir. Atualmente não tenho tido muito tempo para frequentar teatros ou afins, todavia há uns dois meses assisti ao “Fundo de Quintal” e ao “Wilson das Neves “.     

 

  1. Que retorno você espera da literatura para si mesmo no Brasil? E a nível de mundo?

 Sinceramente, não tenho muitas esperanças, pois noto que a ABL - infelizmente - tem perdido espaço para a cultura e cedido espaço à política, sendo bem provável que os próximos acadêmicos sejam escolhidos mais pela afinidade e pela troca de gentilezas por títulos recebidos, do que por terem uma verdadeira produção literária. Por outro lado, pode ser que a internet ainda nos leve a ser reconhecidos lá fora e as pessoas daqui finalmente nos percebam como artistas de letras. Como se diz no Brasil: “Casa de ferreiro, espeto de pau ".   

 

  1. Você acha que o brasileiro médio costuma ler? Acha que ele gosta de literatura tradicional ou só de notícias rápidas e sem profundidade?

 A tecnologia virtual tem provocado um afastamento muito rápido dos indivíduos da literatura editada em papel, porém ela ainda pode ser, e creio que será, a única saída para a evolução sociocultural principalmente dos estudantes que têm formado a chamada classe média. Não obstante, de acordo com o que se vê, quanto mais ignorante um povo, mais fácil é o seu controle pelas classes dominantes. Isto decorre – cotidianamente – da opção dos meios de comunicação pelo que lhes dê algum lucro. Eles se assemelham a traficantes que não consomem o que vendem, mas lucram com o que produzem, seja ele chulo, grosseiro, mal feito.    

 

  1. Você costuma registrar seus textos na FBN antes de publicá-los? Sabe da importância disso?

 Todos os meus textos publicados em livros de papel, têm ISBN, porém para os que são feitos imediata e virtualmente, procuro dar-lhes um destino que me permita registrá-los como de minha autoria.  

 

  1. Já tem livros-solo publicados? Consegue vendê-los com certa facilidade?

 Pouquíssimas pessoas que conheço conseguem vender seus livros com facilidade. O que ganham com as vendas mal dá para pagarem pelo menos uma parcela da publicação. As editoras continuam vendendo a parte que lhes cabe ( isto quando o autor já é um pouco conhecido ) e eles perdem o controle dessas vendas, não tendo nem como reclamar estas vendas aleatórias. Nossas vendas funcionam socialmente: você compra meu livro e eu compro o seu. É assim que funciona no “nosso” meio acadêmico. Os outros apenas querem vender seus livros, mas sempre dão uma desculpa quando se trata da aquisição dos nossos.

 

Tenho livros-solos e também CDs e DVDs de shows que fiz.

 

  1. Já conhecia o poeta-escritor Oliveira Caruso (desculpe-me... Esta pergunta é padrão para quem participa de meus concursos literários)?

 Você, meu irmão, mereceu ser conhecido e reverenciado pelas pessoas certas, que são aquelas que sabem reconhecer um belo trabalho. De minha parte, respeito-o não apenas pelo que realiza, mas principalmente pela pessoa do bem que você é e pela maneira sempre fraternal como procura tratar os seus iguais. Deus o abençoe por isso.

 

  1. Você trabalha com literatura inclusive para aumentar sua renda ou a leva como um delicioso hobby?

 No nosso caso, escrevemos para mostrar o nosso valor, quem somos e como vemos e sentimos o mundo que nos cerca,  e entristece-nos muito convivermos com tantos ataques de “supereguices”, narcisices, egocentrices e arrogancices agudas dos que fazem de si mesmos protagonistas de um papel que mal sabem interpretar, apenas representam-se. Acho a palavra “hobby” muito pequena – apesar de deliciosa – para o que produzo. Se um dia não tiver quem me leia, ler-me-ei e tenho certeza de que aprenderei muito com o que ainda tenha para escrever e criar.

 

  1. Você trabalha(ou) fora da literatura?

 Sempre trabalhei concomitantemente com a literatura pois minhas pausas para criar nunca interferiram negativamente no meu trabalho. Não fosse a literatura, eu seria apenas mais um cidadão dependente de um cartão de ponto.

 Sempre exerci literatura: lecionando, produzindo projetos, criando.

 Obrigado, meu irmão, por mais esta oportunidade de mostrar, de verdade, quem sou, o que penso, o que amo.  Um fraterno abraço. Deus o abençoe, artista de letras e artes, Paulo Caruso.   

 

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